Baixou o elástico da puída calça de moletom cinza. As pernas tremeram. Olhou para baixo, de soslaio, e respirou aliviado. Seu pinto ainda estava lá. Com calma e zelo, pressionou levemente o prepúcio e puxou-o em direção ao próprio corpo. Ardia um bocado. Um líquido transparente, espesso e gosmento lhe causou certo espanto. Um forte odor subiu-lhe às narinas. Resolveu se lavar.
O telejornal anunciava as últimas do governo quando os pais de Max chegaram em casa. Um beijinho na mãe. Um beijinho no pai. E vruuuummm para o quarto. O pau ainda queimava. Segundo banho do dia.
— Filhoooo, olha a janta — gritou a mãe da cozinha.
— Jantar, mãe, é jantar, e não janta — corrigiu.
Guisado. Coca-cola. Guisado. Arroz. Coca-cola. Polenta. Blurp.
— Come devagar, seu idiota — irritou-se o pai.
Ao lado da cozinha, num cubículo, sobre um beliche cor-de-rosa, Mirleide suspirava com os românticos e açucarados contos da coleção Sabrina.
— Pode tirar a mesa — ordenou a mãe.
Mirleide tinha 18 anos. Trabalhava na casa de Max desde os 15 e perdera a virgindade naquela tarde. Max tinha 42. E síndrome de Down.


