Elas passavam pra lá, passavam pra cá. No saguão do aeroporto, numa sexta à tarde, Gastão descobriu que era ali o melhor lugar para conseguir uma namorada. Ruivas, castanhas, morenas, loiras. Paulistanas, cariocas, gaúchas, mineiras. De botas, chinelos de dedo, salto agulha, tamancos. A variedade de senhoritas desacompanhadas num saguão de aeroporto é algo incomparável. Boa parte perfumada, frasqueiras à tiracolo, coques bem feitos ou cabelos condicionados.
Isso sem contabilizar a voz rouca, sexy, quando pornográfica, daquela que há décadas anuncia as chegadas e partidas das aeronaves na pista.
– Vôo 1741 com destino a Fortaleza, última chamada, portão 2.
– Que maravilha. Que maravilha, repetia, pra si mesmo, Gastão.
Devagarinho, jornal numa das mãos, a outra ocupada em apertar uma unha na outra, Gastão se aproxima de uma delas. Falta certa coragem.
– Humr, hummmr, gagueja.
– Por gentileza, é por aqui que as pessoas saem quando chegam?, dirije-se a uma jovem postada exatamente debaixo de uma placa escrita desembarque.
Gelo.
Nova tentativa.
– Me desculpe, senhorita.
– Sim, pois não.
– Me chamo Gastão. Qual a sua graça?
– Graça? Graça? Não vejo graça nenhuma.
– É, humm, é, me perdoe o incoveniente. Mas se por acaso, um estranho abordasse a senhorita num aeroporto cheio, véspera do final de semana, e lhe perguntasse o seu nome e telefone, a senhorita lhe daria tais informações?
– De forma alguma.
– Ufa, ainda bem que não perguntei. Até logo.
– Cada um que me aparece, pensou Inês com seus botões.


