Finalmente a câmara fotográfica russa, do início do século passado, herança do avô morto doze anos atrás, serviria para alguma coisa. Luana trancou-se no quarto e se despiu. Sem pressa, pegou calcinha por calcinha até encontrar a que mais lhe agradasse. Fez o mesmo com o sutiã. As unhas do pé, atraentemente rosas, pareciam ainda mais rosadas diante do contraste da pele morena, resultado de finais de semana ensolarados na areia da praia. Perfumou-se. Era um ritual pessoal, de libertação. Muito mais do que de conquista do outro. Encontrava-se completamente apaixonada. Encontrava-se completamente nua. Brincava com os dedos, e com a língua, e com os cabelos negros e compridos (cerca de dois palmos abaixo do ombro). Clicou-se no espelho. Uma. Duas. Três chapas. Na cama macia, sob um edredon azul-esverdeado que emulava as ondas do oceano, Luana deitou-se.
E dormiu pra sempre.



2 respostas Até agora ↓
luana piovani // Abril 9, 2008 às 12:49 am
Ficaria feliz de saber que você escreveu isso pensando em mim, talvez. Um beijo
rimoreno // Abril 9, 2008 às 4:40 am
Desculpe, mas isso é papel do Caetano.